Boas lembranças.
Memórias dolorosas.
Memórias que eu havia enterrado tão profundamente que até eu raramente pensava nelas hoje em dia.
Mas Lily estava radiante.
E eu não consegui dizer não.
“Está bem”, eu disse.
Seu grito de excitação quase fez as paredes do porão tremerem.
Chegou a noite do baile de formatura.
Quando Lily desceu as escadas usando o vestido, quase chorei.
Ela estava linda.
Não por causa do vestido.
Porque ela parecia tão feliz.
Connor chegou logo depois.
Ele era educado, charmoso e genuinamente gentil.
A cidade inteira sabia quem ele era.
Jogador de basquete estrela.
Aluno exemplar.
A criança que todos os pais adoravam.
O rapaz com quem todas as garotas queriam namorar.
Mas sempre que eu o observava com Lily, eu via algo mais importante.
Ele olhou para ela como se ela fosse a única pessoa na sala.
Isso importava.
Antes de eles irem embora, tirei dezenas de fotos.
Lily gemeu.
“Mãe, pare.”
“Nunca.”
Connor riu.
“Deixe-a tomar mais algumas.”
“Mais algumas?”, perguntou Lily.
“Ela já tomou quarenta e sete.”
“Quarenta e oito”, corrigi.

Naquele ano, eu me ofereci como acompanhante no baile de formatura.
Em parte porque a escola precisava de ajuda.
Em parte porque, secretamente, eu queria ver Lily desfrutar do mesmo marco que eu havia vivenciado tantos anos atrás.
O ginásio foi transformado em um belo salão de baile.
Luzes suaves pendiam do teto.
A música ecoava pela sala.
Os alunos dançaram, riram e tiraram inúmeras fotos.
De vez em quando, eu me pegava olhando para Lily.
Ela e Connor passaram quase a noite inteira juntos.
Dança.
Rindo.
Criando memórias.
Eu não conseguia parar de sorrir.
Tudo parecia perfeito.
Até o fim da noite.
A maioria dos alunos já tinha ido embora.
Alguns professores permaneceram.
Eu estava limpando a mesa de ponche e recolhendo os copos vazios quando notei Connor caminhando em minha direção.
Sozinho.
Imediatamente, meu estômago se contraiu.
Seu rosto parecia estranhamente sério.