Alguns meses depois, Lily finalmente foi enterrada em paz.
A igreja estava lotada.
Não por curiosidade.
Mas por vergonha.
Noah estava ao lado do caixão e segurava uma foto antiga da irmã. Ela sorriu para ele. Dezesseis anos, para sempre. Seus cabelos escuros caíam sobre um ombro. Três pequenas flores brancas estavam bordadas em sua manga.
Margaret caminhava com o tecido rosa nas mãos.
Ele colocou ao lado das flores.
Então ela se abaixou e murmurou:
Você pode encontrar o restante na próxima página.
Noah queria dizer a ela que não era culpa dela.
Mas a dor não se submete à razão.
Após o funeral, a casa de Harold permaneceu vazia.
Ninguém gostava dele.
As janelas foram interditadas. O jardim morreu. O galpão foi demolido. Mesmo assim, as pessoas atravessavam a rua em vez de passar em frente ao tribunal.
Certa noite, Noé voltou sozinho.
O céu estava cinzento. A relva crescera descontroladamente. Onde antes ficava o celeiro, agora só se via terra nua.
Noah amou Harold durante anos.
Ele sentou-se ao lado dela no Natal.
Ela havia recebido dele o dinheiro que lhe dera de aniversário.
Ela o chamava de vovô.
Essa foi a parte mais cruel.
O mal não tinha a aparência de um monstro.
Ela parecia ser da família.
Noé ficou aqui por muito tempo.