Ele encontrou a ex-esposa sozinha no hospital e ficou paralisado.

Dois meses após o meu divórcio, avistei minha ex-esposa sentada sozinha no corredor de um hospital, e no instante em que soube que era ela, algo dentro de mim se quebrou.

O corredor cheirava a antisséptico, café velho e um leve odor de plástico, típico de cobertores hospitalares.

O ar frio jorrava das aberturas do teto em correntes constantes, embora metade das pessoas que esperavam estivesse com suéteres enrolados no corpo ou com os braços cruzados.

Em algum lugar atrás da mesa das enfermeiras, um monitor emitia um bipe com uma calma que parecia quase cruel.

Eu não tinha ido lá por causa dela.

Eu tinha ido visitar meu melhor amigo depois da cirurgia dele.

David me enviou uma mensagem às 13h17 de quinta-feira, 13 de junho.

Ainda estou vivo. Traga café se vier.

Esse era David.

Primeiro o humor, depois o sofrimento.

Então parei no saguão, comprei o pior café de papel que já provei, fiz o cadastro na recepção e segui as placas para a área de recuperação.

Uma pequena bandeira americana estava ao lado da máquina de crachás de visitantes, e a recepcionista mal levantou os olhos quando me disse para pegar o elevador até o terceiro andar.

Lembro-me daquela bandeira porque estava tentando me concentrar em qualquer coisa, menos nas famílias que esperavam ao meu redor.