No aniversário do meu avô, meu pai me empurrou escada abaixo porque eu me recusei a ceder meu lugar para minha irmã depois da cirurgia plástica dela. Eu estava grávida de oito meses. Enquanto eu estava lá, sangrando, minha mãe gritou que eu estava fingindo. Minutos depois, o médico do pronto-socorro olhou para o monitor e disse as palavras que me destruíram.

Parte 1

O Bellevue Country Club parecia saído de uma revista de celebridades: lustres de cristal, pisos de mármore polido, orquídeas brancas mais altas que crianças e parentes vestidos como se estivessem posando para um retrato de família. Estávamos lá para o aniversário de oitenta anos do meu avô, um evento que minha mãe havia planejado por seis meses porque as aparências importavam mais para ela do que respirar.

Eu estava grávida de oito meses, inchada, exausta e dolorida, vestindo um camisolão de gestante claro. Mas essa gravidez não era comum. Era o milagre após cinco anos de fertilização in vitro, agulhas, exames falhos, lágrimas silenciosas no banheiro e uma esperança que quase me destruiu. Mark e eu lutamos por esse bebê, e cada chute sob minhas costelas era uma prova de que tínhamos sobrevivido.

Mark sentou-se ao meu lado num sofá de veludo esmeralda, num recanto tranquilo perto de uma pequena escadaria de granito. Seu polegar deslizou suavemente sobre a tensão no meu pescoço.

“Quer que eu lhe traga comida?”, perguntou ele.