72 horas depois do parto, minha mãe entrou no meu quarto de hospital com os papéis da guarda do meu bebê. Ela disse que minha irmã “infértil” o merecia mais do que eu. Eu paguei US$ 42.500 pelos tratamentos de fertilização in vitro dela.

Setenta e duas horas depois de dar à luz meu filho, minha mãe entrou no meu quarto de hospital carregando uma pasta de papel pardo como se estivesse carregando uma arma. Meu recém-nascido dormia em meu peito, quentinho e com o peito cheio de leite, quando ela disse: “Não torne isso desagradável, Mara.”

Meu olhar percorreu desde seus brincos de pérola até os documentos em suas mãos.

Atrás dela estava minha irmã, Celeste, envolta em linho cor creme, com óculos de sol na cabeça e uma expressão de falsa tristeza cuidadosamente pintada no rosto. Ela não parecia uma mulher de coração partido. Parecia alguém esperando que uma compra fosse embrulhada para presente.

“O que é isso?”, perguntei.

Mamãe colocou a pasta na minha mesinha. “Documentos de guarda temporária.”

O quarto ficou em silêncio, exceto pelo som suave da respiração do meu filho.

Eu ri uma vez porque gritar teria doído mais. “Você trouxe documentos de custódia para o meu quarto de maternidade?”

Celeste se aproximou. “Você está sozinha. Sua missão é daqui a seis meses. Você não tem marido, um lar estável e, sinceramente, Mara, você sempre foi… intensa.”

“Intenso”, repeti.

O tom da mãe endureceu instantaneamente. “Sua irmã merece um bebê. Depois de tudo o que ela passou.”

Apertei meu filho contra mim. “Ela merece meu filho?”

A expressão de Celeste desmoronou perfeitamente no momento certo. “Você sabe que eu não posso ter um bebê. Você sabe o que a infertilidade fez comigo.”

Sim. Eu sabia.