Meu nome é Margaret e tenho 56 anos. Durante 23 anos, trabalhei na mesma fábrica de embalagens de papelão nos arredores da cidade. Ao final de cada turno, minhas mãos ficavam com cheiro de cola e pó de papel, e na maioria das noites, minha coluna parecia ter sido apertada com parafusos de metal.
Nunca foi um trabalho glamoroso, mas pagava as contas. Mais importante ainda, me ajudou a criar minha filha, Hannah, depois que o pai dela a abandonou quando ela tinha 12 anos.
Aceitei todos os turnos extras que consegui e trabalhei também nos fins de semana. Abri mão de férias, usei o mesmo casaco de inverno por anos e dirigi um Buick velho que fazia barulho sempre que eu passava de 70 quilômetros por hora.
Ainda assim, cada sacrifício valeu a pena quando Hannah se formou na faculdade.
Então ela conheceu Preston, meu genro.
Ele vinha de um mundo que eu mal compreendia.
Os pais de Preston tinham dinheiro. Ele frequentou escolas particulares e seu pai ajudou a financiar a empresa de tecnologia que ele fundou aos vinte e poucos anos. Quando Hannah se casou com ele, eles moravam atrás de imponentes portões de ferro preto no bairro mais rico do condado.
