A mãe que obrigou seus 5 filhos a procriarem – até que eles foram acorrentados a um ‘estábulo de reprodução’.

Ela começou a temperar a sopa da noite. Tudo começou quando Thomas mencionou uma garota da cidade – prima de Sarah Whitmore. Naquela noite, depois da sopa, Thomas sentiu seus membros ficarem pesados ​​como chumbo. Sua mãe sentou-se ao lado de sua cama e acariciou seus cabelos com uma ternura aterradora.

‘O mundo exterior quer te sugar até a última gota, meu leão’, ela murmurou. ‘Mas eu criei um jardim para você. Um lugar onde o nome McKenna jamais se apagará.’

Ao acordar, Thomas se viu no “estábulo de reprodução” – uma estrutura que Silas havia construído para os cavalos e que agora ele havia adaptado com ripas reforçadas e cadeados pesados. Seus tornozelos estavam acorrentados às vigas com as mesmas correntes que Hayes havia vendido para sua mãe.

O horror da fazenda McKenna não foi uma explosão repentina, mas uma decadência lenta e sufocante. Nos cinco anos seguintes, todos os filhos seguiram Thomas até o celeiro. A lógica de Dalila era um mosaico distorcido de versículos bíblicos deturpados e obsessão incestuosa. Ela acreditava que precisava ser a única fonte da herança familiar para preservar a “pureza” da família. Ela não levava mulheres para o celeiro; levava a si mesma e, mais tarde, as meninas que “adotava” de acampamentos de viajantes ou dos arredores pobres do condado — pobres almas que nunca mais seriam vistas, suas vozes perdidas nos ventos da montanha.

Ela tratava os filhos como animais de fazenda. Alimentava-os com vísceras cruas e grãos, e quando eles se rebelavam, dava-lhes láudano.

Elias, o mais sensível dos irmãos, passara três anos na escuridão dos estábulos inferiores. Através das frestas da madeira, ele via as estações mudarem, as montanhas se transformarem do verde exuberante do verão para o cinza árido do inverno. Ele se lembrava do cheiro do sabão de soda cáustica de sua mãe e de como ela cantava “A Rocha da Eternidade” enquanto verificava as coleiras de ferro dos cavalos.

‘Ela não é mais mãe’, sussurrou Elias para Jacó certa noite, mas suas vozes mal se ouviam por cima do mugido do gado na baía vizinha.

‘Ela é a terra’, respondeu Jacob, cujo espírito estava quebrado pelas drogas e pelo isolamento. ‘Finalmente, ela está recuperando tudo.’

O ápice do pesadelo deles ocorreu na primavera de 1892. Caleb, o caçula, já tinha dezoito anos. Ele era o único que tinha uma aparência de liberdade, como “tenente” de sua mãe, porque seu espírito havia sido quebrado primeiro. Mas até Caleb tinha um limite.

Ele recebeu ordens para enterrar a “Menina da Fita Vermelha” — a terceira mulher que Dalila havia trazido para o celeiro e que não sobrevivera à “cobertura” e ao parto subsequente. Enquanto Caleb cavava uma cova rasa na mata atrás do celeiro, encontrou os restos mortais de outra menina. E de outra. Ossinhos minúsculos. Crânios de crianças que pareciam ovos de pássaros na terra.

A linhagem McKenna não foi protegida; foi reciclada e reduzida a pó.

Caleb não voltou para casa naquela noite. Em vez disso, roubou as chaves do cabide na cozinha enquanto Dalila dormia, com a Bíblia aberta contra o peito como um escudo.

A libertação dos irmãos McKenna não foi um evento alegre. Foi um confronto silencioso e sombrio. Quando a porta do celeiro se abriu e o luar iluminou os quatro homens idosos, eles pareciam menos pessoas e mais homens das cavernas. Seus cabelos estavam emaranhados em palha; sua pele era translúcida, de um branco doentio.

Thomas, o mais velho, levantou-se. Correntes tilintaram, um som que definira sua vida por quase dez anos. Ele olhou para Caleb e depois para a casa, onde uma única luz brilhava na janela.

— Ela está dormindo? — perguntou Thomas. Sua voz soava como uma dobradiça enferrujada.

— Ela sonha com a gente — disse Caleb, enquanto entregava a Thomas um pesado pé de cabra de ferro.

Eles não a mataram. A morte, decidiram em acordo tácito com aqueles que haviam sofrido juntos, era uma misericórdia excessiva para Delilah McKenna.

Quando o xerife Crawford chegou à fazenda McKenna três dias depois, após o relato de Sarah Whitmore sobre “gritos desumanos” vindos da floresta ao norte, ele esperava encontrar um ataque de lobo ou um acidente agrícola.

Em vez disso, encontrou a casa vazia. A mesa estava posta para seis pessoas, e as tigelas de mingau frio estavam petrificadas.

Ele seguiu o som dos gritos até a fazenda de criação de cavalos. O fedor o atingiu primeiro: o cheiro de sangue velho, corpos não lavados e o aroma forte e medicinal do láudano.

No meio do celeiro, no mesmo estábulo onde Thomas passara a infância, Delilah McKenna estava acorrentada.

Os irmãos usaram os mesmos aros de ferro que ela havia forjado para eles. Aparafusaram as correntes diretamente nas tábuas de carvalho do assoalho. Ela vestia suas roupas pretas de domingo, mas seu véu estava rasgado e seus olhos — que o Reverendo Thompson certa vez chamara de “celestiais” — estavam arregalados de medo e um pavor selvagem e animalesco.