A mãe que obrigou seus 5 filhos a procriarem – até que eles foram acorrentados a um ‘estábulo de reprodução’.

A névoa sobre os Apalaches em 1884 não se limitava a se agarrar aos pinheiros; parecia emanar da própria terra, um sopro frio e branco que engolia tanto o som quanto a luz. No dia em que Silas McKenna foi enterrado na lama congelada de Milbrook Hollow, o ar cheirava a lã úmida e resina de pinheiro. Delilah McKenna estava de pé na cabeceira da sepultura, uma cabeça negra e monolítica, feita de papel crepom, com a mão pesadamente apoiada no ombro de seu filho caçula, Caleb, de oito anos. Seus quatro filhos mais velhos — Thomas, Jacob, Elias e Silas Jr. — estavam enfileirados ao seu lado, os rostos lavados, os olhos fixos no retângulo escuro esculpido no chão.

Para os seguidores de Milbrook, Dalila era uma santa em luto. Eles a viam segurando a Bíblia contra o peito, lutando contra as lágrimas, aparentemente fortalecida por um poder divino. O reverendo Isaiah Thompson, que a observava do beiral da pequena igreja de pedra, sentia certo orgulho dela. “Uma mulher esculpida em ferro”, escreveu ele mais tarde em seu diário, “cuja devoção aos seus entes queridos beirava o celestial.”

Mas quando a primeira pá de terra caiu sobre o baú de pinho com um baque surdo e final, Thomas, o mais velho dos irmãos, de dezessete anos, sentiu os dedos da mãe pressionando seu ombro. Não era um gesto de conforto. Era o abraço de um predador reivindicando sua presa.

‘O mundo é corrupto, Thomas’, ela sussurrou com uma voz seca e rouca por cima dos hinos. ‘Mas você é meu. Eu o manterei puro para a colheita.’

Quando a primeira geada de 1885 escureceu os arbustos de abóbora, a fazenda da família McKenna havia se tornado uma fortaleza de silêncio. A transformação fora realizada com a precisão cirúrgica de uma mulher que acreditava estar cumprindo ordens do Todo-Poderoso. Tudo começou com o isolamento. Os meninos foram retirados da escola local; seus convites para construir um celeiro foram recusados ​​com uma determinação educada e sinistra.

Delilah começou a visitar o Reverendo Thompson com uma frequência que beirava a obsessão. Ela se sentava em seu escritório escuro, sua saia com cheiro de lavanda e decomposição, e falava sobre laços de sangue.

‘Os descendentes de Sila não devem ser dispersos entre os gentios do vale, ó Venerável Senhor’, disse ele, fitando o ponto acima da cabeça do homem. ‘Não diz a Escritura que os filhos devem honrar suas mães? Que o ventre é a porta de entrada para o reino?’

Thompson, um homem de fé simples, recuou diante do fervor refletido em seu olhar — o que ele chamaria de “fogo fanático”. Quando tentou sugerir que os rapazes precisavam da companhia das jovens da aldeia para formar sua própria família, o rosto de Delilah se contorceu.

— As mulheres do vale são Jezabel — rosnou ele. — Elas querem roubar a força dos meus filhos. Deus me mostrou outro caminho. Um caminho puro. Somos um círculo fechado, Reverendo. Uma fonte sagrada.

Em casa, a “fonte sagrada” era o lugar onde se guardavam o ferro e o láudano.

A transformação de mãe em carcereira tornou-se permanente no inverno de 1886. Os meninos, agora jovens e fortes, viram seu mundo encolher até os limites do pasto ao norte. O controle de Dalila não era apenas psicológico, mas também químico. Suas frequentes compras eram registradas no livro-razão da loja de Daniel Hayes: enormes quantidades de corda, correntes grossas supostamente para “touros desgarrados” e láudano em pequenos frascos azuis.