A esposa que havia em mim se desfez.
O soldado assumiu o controle.
A cabana estava congelante e a chaminé bloqueada por gelo sólido. Não era seguro acender uma fogueira de verdade. Quebrei uma cadeira velha e usei a madeira para fazer uma pequena chama controlada, mantendo-me abaixado sob a fumaça. Depois, procurei ferramentas pelo cômodo.
Meus dedos sangraram enquanto eu trabalhava na fechadura. Arranquei uma mola de metal de uma velha estrutura de cama e a dobrei para fazer uma ferramenta improvisada. Usei uma tábua quebrada do assoalho como alavanca e me forcei a ignorar o frio, a fumaça e a dor.
“Tudo é uma questão de alavancagem”, sussurrei.
Um pino foi clicado.
Depois, outra.
Finalmente, o cadeado se abriu e caiu no chão.
Arrombei a porta e entrei na nevasca.
A caminhada foi de quinze milhas através da neve e de um vento brutal. Quando cheguei a um posto militar, estava meio congelado, tremendo e coberto de sangue e gelo. Um guarda me puxou para dentro.
Em sua mesa havia um jornal.
Meu próprio rosto me encarava sob a manchete:
Perda trágica: comunidade lamenta a morte de herói local das forças especiais.
Dois dias depois, Gavin realizou meu funeral.
A catedral estava repleta de pessoas em luto, oficiais militares, repórteres e convidados ricos. Orquídeas brancas adornavam o salão. Na frente, um caixão de mogno vazio.
Gavin ficou de pé diante do microfone, fingindo chorar.
“Ela era uma guerreira no campo de batalha”, disse ele, “mas era a minha paz em casa.”
Alyssa estava ao lado dele, vestida de preto, interpretando a amiga enlutada.
Então as portas da catedral se abriram de repente.
Uma onda de ar frio invadiu o ambiente.
Desci o corredor com minhas roupas táticas rasgadas, botas enlameadas e mãos enfaixadas. Em uma das mãos, arrastei o cadeado e a corrente enferrujados pelo chão de mármore.
O silêncio tomou conta da sala.
Gavin deixou cair o lenço.