Ela havia ensaiado as palavras repetidas vezes em frente ao espelho do banheiro até que soassem perfeitas. Mas agora, diante de um completo estranho, cada frase sumiu de sua mente.
E se ele risse dela?
E se ele ficasse irritado?
E se ele a ignorasse completamente?
Ainda assim, a ideia de ficar sozinha enquanto as outras crianças corriam para os braços de suas famílias doía muito mais do que uma possível rejeição. Antes que o medo pudesse impedi-la, ela se obrigou a seguir em frente.
Ela não sabia que o homem era Elliot Vance, fundador da Vance Capital, um empresário com um patrimônio superior a sessenta milhões de dólares. Ela não fazia ideia de que seu nome estampava arranha-céus no centro da cidade. Tudo o que ela sabia era que ele parecia amável.
E a gentileza pareceu suficiente.
A conversa que estavam prestes a ter — e a promessa que se seguiu — mudaria silenciosamente a vida de ambos para sempre.
Naquela manhã, Lila acordou no pequeno apartamento de um quarto que dividia com sua avó, Eleanor Carter, a quem todos chamavam de Nora.
O sol ainda não havia nascido, mas o sono já a havia abandonado.
Hoje deveria ter sido um dia emocionante. Ela tinha terminado a quarta série. Ela estava crescendo.
Em vez disso, tudo em que ela conseguia pensar era na cadeira vazia que a esperava no auditório da escola, com seu nome colado nela.
Nora estava sentada à velha mesa da cozinha, organizando seus remédios, com os frasquinhos enfileirados ordenadamente ao seu lado. Aos setenta e cinco anos, a artrite e a insuficiência cardíaca haviam lhe roubado a maior parte das forças. Até mesmo organizar os comprimidos havia se tornado exaustivo.
Lila permaneceu em silêncio perto da porta.
“Bom dia, raio de sol”, disse Nora com sua voz rouca, sem levantar os olhos. “Hoje é um grande dia.”
Lila assentiu suavemente com a cabeça.