Dois dias antes do nosso casamento, estendi a mão atrás do sofá de infância do meu noivo para pegar meu celular – o que eu tirei de lá me fez ligar para a polícia em vez de caminhar até o altar.

PARTE 1 — A MOCHILA ATRÁS DO SOFÁ

Dois dias antes do meu casamento, tranquei-me no banheiro de infância do meu noivo e chamei a polícia.

“Alison?” Nathan chamou do corredor. “Com quem você está falando?”

Tapei a boca com uma das mãos e pressionei o telefone firmemente contra a orelha.

O atendente do serviço de emergência falou calmamente.

“Permaneçam onde estão. Os policiais estão a caminho.”

A maçaneta da porta se moveu.

“Por que a porta está trancada?”, perguntou Nathan.

Olhei para o frasco de remédio no meu colo.

Pertencia à sua tia Margaret.

Assim como a carteira de motorista, o celular, os cartões de crédito e os cheques em branco assinados que eu acabara de encontrar dentro de uma mochila rosa-clara escondida atrás do sofá velho no quarto de Nathan.

Margaret estava desaparecida havia várias horas.

Nathan foi a última pessoa que se soube ter estado com ela.

“Estou falando com a Celia”, gritei através da porta.

Celia foi a nossa organizadora de casamentos.

Nathan fez uma pausa.

“Por que você se trancaria no banheiro para discutir flores?”

Dois dias antes, eu teria rido e aberto a porta.

Dois dias antes, eu ainda acreditava que conhecia o homem com quem estava prestes a me casar.

Conheci o Nathan depois de quase excluir o aplicativo de namoro onde nos conectamos. Ao contrário dos homens que tratavam os encontros como entrevistas, ele fazia perguntas e ouvia atentamente minhas respostas.

Em nosso primeiro encontro, conversamos por três horas.