A investidora mais temida do México. Dona de metade do corredor industrial de Bajío. Matriarca do Grupo Aranda. Os jornais a chamavam de Rainha de Ferro.
Ela usava um casaco de lã branca, brincos de pérola e um anel que refletia a luz. Mas o que me paralisou foram os seus olhos.
Verde-acinzentado.
Exatamente igual ao meu.
Ela caminhou diretamente até mim, ignorando completamente Hector. Sua expressão impassível se desfez. Lágrimas encheram seus olhos enquanto ela tocava minha bochecha.
“Minha filhinha”, ela sussurrou. “Minha linda menina… finalmente te encontrei.”
Eu não conseguia respirar.
Ela colocou a mão sobre a minha, na minha barriga. Meu bebê chutou. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
Então ela se voltou para Heitor, e a Rainha de Ferro retornou.
“Minha filha e meu neto viverão muito melhor sem você, Sr. Luján.”
Hector riu nervosamente.
“Sua filha? Mariana é órfã. Eu vi os registros dela. Alguém está te enganando.”
Catalina levantou uma das mãos.
Seis advogados entraram carregando pastas pretas.
Um deles colocou uma pasta grossa na mesa do juiz.
“Excelência”, disse ele, “apresentamos provas de fraude, documentos falsificados, roubo de identidade, alteração de registros civis, apropriação indébita de fundos e suborno de funcionários públicos.”
O juiz Rivas começou a suar.
E Heitor parou de sorrir.
O advogado abriu o processo.
“Há vinte e oito anos, a Sra. Catalina Aranda perdeu sua filha recém-nascida durante um incêndio criminoso em uma propriedade da família em San Miguel de Allende. Disseram-lhe que o bebê havia morrido.”
Agarrei a mesa com força.
“A certidão de óbito foi falsificada. Assistentes sociais foram subornados. Registros foram alterados. A criança foi colocada em um lar adotivo com o nome de Mariana Torres.”
Meus joelhos fraquejaram.