Mas eu não estava mais sozinho.
O fundo fiduciário voltou para o meu nome. As contas foram bloqueadas. Bens ocultos foram investigados. A família Luján alegou não saber de nada.
Após ler a declaração, Catalina pousou o tablet no chão.
“Eles sabiam o suficiente”, disse ela.
“O que você vai fazer?”, perguntei.
Ela olhou para mim fixamente.
“Isso depende de você. Não sou mais eu quem decide por você.”
Essa frase curou algo dentro de mim.
Um ano depois, tornei-me diretora de uma fundação chamada Casa Raíz, criada para ajudar jovens que saem do sistema de acolhimento familiar, oferecendo bolsas de estudo, moradia, apoio jurídico, terapia e trabalho digno. Eu não queria que outra garota como eu confundisse uma jaula com um lar só porque alguém a envolvia em luxo.
Então chegou uma carta da prisão.
Hector escreveu que havia cometido erros, que havia amor, que Mateo era seu filho, que eu não deveria deixar minha mãe me tornar cruel.
Por um instante, a criança abandonada dentro de mim quis sentir-se culpada.
Então eu olhei para Mateo, que ria deitado no tapete com blocos de madeira.
Dobrei a carta e a coloquei no triturador.
Depois disso, assinei os documentos autorizando o Grupo Aranda a comprar a dívida da Luján Logística. A empresa que Hector tentara salvar roubando-me agora pertenceria à família que ele tentara destruir.
Assinei com meu nome completo:
Mariana Aranda Salcedo.
Não por vingança.