“Está feliz agora?”, gritou Evelyn. “Está fingindo só para estragar a festa do seu avô? Levante-se! Você está nos envergonhando!”
Mark olhou para ela, pálido de raiva.
“Se algo acontecer à minha esposa ou ao meu filho”, disse ele, “você terá que responder por isso.”
Parte 2
Depois disso, tudo ficou confuso: seguranças gritando, sirenes do lado de fora, estranhos se afastando, a mão de Mark segurando a minha e as contrações me atravessando com muita força. Rezei com todas as minhas forças. Quebrem-me se for preciso, mas salvem o bebê. Os paramédicos me prenderam a uma prancha e me levaram às pressas para fora, passando pelas orquídeas e pelos rostos horrorizados. Na ambulância, Mark segurou minha mão contra o rosto e chorou.
“Você está bem”, ele repetia. “Vamos resolver isso.”
No hospital, uma equipe de emergência cortou meu vestido destruído, conectou monitores e pressionou um transdutor de ultrassom contra minha barriga. O silêncio tomou conta do ambiente. Esperei pela batida do coração que me acompanhou durante meses de medo.
“Onde está?”, solucei. “Onde está a batida do coração?”
O rosto do obstetra se contraiu.
“Os batimentos cardíacos estão caindo rapidamente. Descolamento prematuro da placenta grave. Preparem a sala de cirurgia agora. Cesariana de emergência.”
O mundo ganhou movimento. Formulários foram empurrados para Mark. A medicação fria corria pelo meu soro. Enfermeiras me cercavam.
“Eu te amo”, disse Mark, com a voz embargada enquanto o puxavam para trás. “Estou bem aqui.”
A sala de cirurgia estava gelada. Um avental azul foi colocado sobre mim. Senti pressão, puxões e, então, silêncio. Esperei por um choro. Nada veio. Lágrimas escorreram para a minha testa.
Então, a princípio fraco, eu ouvi. Um grito tênue que se transformou num lamento furioso.
“O bebê nasceu. Horário do nascimento: 21h14.”
Eles me mostraram ele por apenas um segundo: minúsculo, vermelho, gritando, vivo.
“Ele é lindo”, disse uma enfermeira. “Mas ele nasceu prematuro e sofreu um trauma. Vamos levá-lo para a UTI neonatal.”
Quando acordei, estava na sala de recuperação. Mark estava sentado ao meu lado, com a camisa manchada e os olhos vermelhos.
“Ele está na UTI neonatal”, disse ele suavemente. “O nome dele é Leo. Ele é pequenininho, mas está respirando sozinho. Os médicos dizem que ele vai ficar bem.”
“Ele está vivo”, sussurrei.