Não se tratava de uma mansão luxuosa da qual estavam me escondendo. Era um projeto de reforma interminável que havia saído completamente do controle.
“Ficamos pensando em te convidar quando terminasse”, disse Hannah. “Mas aí aconteceram mais atrasos, e depois de tanto tempo…”
“A situação ficou estranha”, concluiu Preston.
“Situação constrangedora?”, repeti. “Você sabe quantas noites eu pensei que minha própria filha tinha vergonha de mim?”
Lágrimas escorriam pelo rosto de Hannah.
“Eu estava envergonhada”, admitiu ela, com a voz trêmula. “Mas não de você. A cada mês que passava, ficava mais difícil explicar isso.”
“No início, parecia algo temporário. Depois, passou-se muito tempo e eu não sabia como admitir que tínhamos deixado chegar a esse ponto.”
Os gêmeos subiram no sofá ao meu lado. Um deles enfiou um dinossauro de plástico na minha mão enquanto o outro se encostava no meu ombro.
Sinceramente, aquilo quase me destruiu.
Olhei ao redor da sala novamente.
Cinco anos de silêncio e mal-entendidos se acumularam em torno de conversas que ninguém queria ter.
Uma parte de mim ainda está magoada. Cinco anos não poderiam desaparecer depois de uma conversa.
Mas, sentada ali com meus netos encostados em mim, percebi que nada daquilo tinha vindo de crueldade, apenas de medo e evasão.
Após algum tempo, Preston ficou parado em silêncio.
Você gostaria de um café?
Quase ri.
Durante cinco anos, eu só tinha visto meus netos lá fora.
Agora meu cunhado estava me oferecendo café na cozinha dele.
“Sim”, eu disse. “Eu faria.”
Enquanto Preston preparava o café, Hannah me mostrou a casa.
Ela apontou azulejos tortos, uma inundação no banheiro que arruinou dois andares e armários que haviam sido entregues na cor errada três vezes.
Parecia surpreendentemente normal, confuso, caro, estressante e humano.
Em seguida, chegamos ao quarto dos gêmeos.
E parei abruptamente.
Fotos minhas cobriam as paredes.