Saí do carro, ajeitei meu sobretudo e abri a porta para Elena. “Segure Leo com força”, eu disse a ela gentilmente. “Fique ao meu lado.”
Entramos no grande hall de entrada no exato momento em que risadas ecoavam da sala de jantar. Beatrice estava na cabeceira de uma longa mesa, rodeada por membros da alta sociedade, segurando uma taça de cristal no alto. No instante em que me viu parada na porta ao lado de Elena e Leo, a taça escorregou de sua mão e se estilhaçou no chão de mármore. Todas as conversas na sala cessaram instantaneamente.
“Raymond!” Beatrice gaguejou, o rosto empalidecendo enquanto se apressava em nossa direção. “Você voltou mais cedo. O que… o que ela está fazendo aqui? Pensei que tivéssemos resolvido isso.”
“A única coisa que será tratada hoje, Beatrice, é a sua saída desta casa”, respondi calmamente, com a minha voz ecoando pelo hall de entrada.
Atrás de mim, entrou meu principal consultor jurídico, David Thorne, carregando uma pasta de couro.
“Do que você está falando?”, sibilou Beatrice, baixando a voz num esforço desesperado para evitar se humilhar diante dos convidados. “Esta é a nossa casa! Você não pode falar comigo desse jeito!”
“Esta propriedade pertence ao Fundo Caldwell, e eu sou o único administrador”, respondi, fazendo um gesto para que David abrisse o fólio. “Durante anos, permiti que você morasse aqui e supervisionasse nossos assuntos sociais por respeito aos nossos falecidos pais. Mas hoje você ultrapassou um limite irreversível. Você usou a morte do meu filho para abusar da viúva dele e exilar o neto. Você expulsou meu neto.”
David deu um passo à frente e entregou a Beatrice uma pilha de notificações judiciais.