Meu marido estava no caixão havia apenas algumas horas quando minha sogra exigiu as chaves de casa. “Arruma as malas, incubadora”, zombou ela, jogando um teste de paternidade fajuto em cima do caixão. “Os milhões do meu filho pertencem à família de verdade dele.” O advogado do meu marido entrou com um projetor. Então, o rosto dele apareceu na tela, e sua primeira frase fez minha sogra desmaiar.

Meu marido não morreu em um acidente.

Na gravação, Julián engoliu em seco.

“Se eu morrer, não será por causa da estrada. Será porque alguém decidiu que minha vida valia menos que uma herança.”

Dona Teresa gritou.

“Desligue isso!”

Mas Arturo levantou a mão e falou com muita seriedade.

“Ainda falta uma última parte.”

A tela acendeu-se novamente, e Julián pronunciou a frase que fez até o padre baixar os olhos.

“E agora todos ouvirão a ligação em que minha própria mãe ordenou minha morte.”

PARTE 3

O áudio começou com um leve som metálico, como se um telefone estivesse sendo colocado sobre uma mesa.

Então a voz de Dona Teresa ecoou pela igreja.

“Tem que parecer um acidente. Sem erros. Meu filho mudou o testamento, e aquela mulher não pode ficar com o que nos pertence.”

A igreja inteira ficou paralisada.

Então, uma voz masculina respondeu.

“Se fizermos isso na estrada, ninguém vai fiscalizar com muita atenção. Mas vai custar mais caro.”

Dona Teresa respondeu sem hesitar.

“Paguem o que for preciso. Quando Julián morrer, eu recuperarei tudo.”

Meus joelhos fraquejaram. Arturo me amparou antes que eu caísse. Uma parte de mim queria gritar. Outra parte queria correr até o caixão de Julián e pedir seu perdão por não ter percebido o medo que ele carregou sozinho.

Dona Teresa começou a balançar a cabeça negativamente.

“Essa não sou eu. Essa não sou eu. Foi editada!”

Então, as duas pessoas que tinham entrado com Arturo mostraram seus crachás oficiais.

“Teresa Robles de Mendoza”, disse um deles, “você está presa por homicídio qualificado, fraude, associação criminosa e peculato.”

O som das algemas fechando em seus pulsos foi agudo e definitivo.

Fernanda caiu de joelhos.

“Mamãe me obrigou”, ela chorou. “Eu só assinei alguns papéis. Eu não sabia que ela ia matar Julián.”

Dona Teresa olhou para a filha com ódio.