“Saia da minha casa antes das cinco horas. Vamos ver como você se vira com esse bebê sem mim.”
Hector Luján disse essas palavras com um sorriso, logo depois que o juiz bateu o martelo e me deixou sem nada.
Eu estava sentada no tribunal de família na Cidade do México, grávida de oito meses, com uma mão pressionada contra a barriga enquanto meu filho se mexia dentro de mim como se também estivesse com medo. O juiz Rivas leu a sentença com voz calma e serena.
“O acordo pré-nupcial é válido. A casa em Las Lomas, as contas conjuntas, os veículos e os investimentos permanecem em nome do Sr. Luján. A Sra. Mariana Torres não receberá pensão alimentícia e deve deixar a residência conjugal hoje, antes das 17h.”
Senti o chão sumir debaixo dos meus pés. Eu não tinha pais, nem irmãos, e não tinha para onde ir. Cresci em lares adotivos, passando de um lugar para outro até aprender que o amor geralmente tem prazo de validade.
Então Hector apareceu na minha vida. Bonito, rico, charmoso. Ele trouxe flores para a livraria onde eu trabalhava e prometeu que eu nunca mais ficaria sozinha. Eu acreditei nele. Casei com ele. Assinei papéis que não entendia porque ele dizia que eram uma mera formalidade. Larguei meu emprego porque ele disse que queria cuidar de mim. Aos poucos, ele me afastou de todos que eu conhecia.
Quando engravidei, a ternura desapareceu. Primeiro veio o silêncio. Depois, os insultos. Depois, as ameaças. Depois, o divórcio.
Após a audiência, Heitor se inclinou para perto e sussurrou:
“Você veio do nada, Mariana. Você vai voltar para o nada. Quando essa criança nascer, o serviço social vai levá-la porque você não tem dinheiro nem para um berço.”
Mordi o lábio para não chorar.
Então as portas do tribunal se abriram de repente.
Quatro homens de preto entraram primeiro, movendo-se com a precisão de seguranças treinados. Então uma mulher entrou, e pareceu que toda a sala prendeu a respiração.
Dona Catalina Aranda.
