Quando cheguei à entrada do salão de baile, meus pais estavam encostados na parede como estranhos no casamento da própria filha. A mesa principal da família — aquela que eu havia reservado pessoalmente para eles — estava completamente ocupada pelos parentes do meu marido, todos os nove lugares preenchidos.

Minha mãe segurava firmemente sua velha bolsa de pérolas com as duas mãos. Meu pai permanecia rígido em seu terno marrom, aquele que ele havia economizado durante meses para comprar, seu sorriso fixo como uma velha ferida.

Fiquei olhando para as cartas na mesa.

Os nomes dos meus pais desapareceram.

Em seus lugares estavam a tia de Victor, dois primos, seu tio detestável e sua mãe, Celeste, radiante em seda cor de champanhe como membros da realeza celebrando uma conquista.

Ela percebeu que eu estava olhando e, casualmente, ergueu sua taça de vinho.

“Oh, querido”, disse ela em voz alta o suficiente para que o fotógrafo parasse de tirar fotos. “Tivemos que reorganizar algumas coisas. A mesa precisa ficar apresentável nas fotos.”

Minha garganta apertou dolorosamente. “Onde meus pais devem se sentar?”

Celeste voltou lentamente o olhar para eles, deliberado e cruel. “Em algum lugar menos visível. Eles parecem pobres.”

Vários convidados riram baixinho, escondendo o rosto em seus guardanapos.

Esperei que Victor dissesse alguma coisa.