Mara trabalhava para o FBI. Ela nunca ligava tão tarde a menos que alguém tivesse morrido ou algo terrível estivesse prestes a acontecer.
Respondi em um sussurro. “Mara?”
Sua voz estava tensa. “Escute com atenção. Desligue tudo. Seu celular, as luzes, tudo. Vá para o sótão, tranque a porta e não conte para o Caleb.”
Um arrepio percorreu meu corpo. “O quê?”
“Agora, Elise.”
Olhei para meu marido. Ele estava deitado de costas, respirando lenta e profundamente.
“Você está me assustando”, sussurrei.
A voz de Mara se transformou num grito abrupto. “Simplesmente faça!”
Eu me mudei antes que pudesse questionar.
Saí da cama sem pensar, peguei o carregador do celular e fui sorrateiramente para o corredor. Atrás de mim, Caleb se mexeu.
“Elise?” ele murmurou.
Eu paralisei.
“Vou pegar água”, eu disse.
Ele não respondeu.
Apaguei a luz do corredor, depois a da cozinha e, por fim, o abajur da sala que Caleb sempre deixava aceso. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair. Mara permaneceu na linha, em silêncio, exceto pela respiração.
Na escada do sótão, ela sussurrou: “Não desligue”.
Subi devagar, cada degrau de madeira rangendo sob meus pés descalços. O sótão cheirava a poeira, isolamento e caixas de presentes antigas. Fechei a porta atrás de mim e deslizei a pequena tranca para o lugar.
“Tranque”, disse Mara.
“Eu fiz.”