Meu pai atirou o caderninho de poupança da minha avó sobre o túmulo aberto dela como se não valesse nada.
“É inútil”, disse ele, sacudindo a poeira das luvas pretas. “Que fique enterrado.”
Todo o cemitério ficou em silêncio.
A chuva escorria pelo meu rosto — talvez lágrimas, talvez não. Eu tinha vinte e seis anos, vestia o único vestido preto que possuía e estava no meio de parentes que passaram o funeral inteiro sussurrando que a vovó havia “desperdiçado seus últimos anos” me criando.
Meu pai, Victor Hale, olhou para mim com o mesmo sorriso frio que tinha quando eu tinha doze anos e implorou para que ele não vendesse a casa da vovó.
“Você ouviu a advogada”, disse ele. “Ela deixou aquele livrinho para você. Não era dinheiro. Não era terra. Um livro. Bobagens típicas de velha.”
