Ela não me chamou pelo nome, mas não precisava. Cada palavra era dirigida diretamente a mim. Meu rosto corou enquanto eu encarava minhas mãos juntas. Ninguém se mexeu na sala. Ninguém falou. Até meu marido permaneceu em silêncio, com a cabeça baixa e o maxilar cerrado.
Eu me senti pequena. Exposta. Como se estivesse sendo julgada em público — e considerada inadequada — sob o pretexto de oração.
Quando ela finalmente disse “Amém”, o silêncio se prolongou insuportavelmente. Esperei que alguém — qualquer pessoa — quebrasse o silêncio. Que risse da situação. Que mudasse de assunto. Nada.
Então meu marido se levantou.
A repentina movimentação dele chamou a atenção de todos. Ele não elevou a voz. Não parecia zangado. Simplesmente pegou o casaco, que estava pendurado na cadeira.
‘Na verdade, mãe’, disse ele calmamente, ‘o único erro aqui é que eu acredito que tudo isso importa.’
A sala ficou congelada.
Ele se virou para mim, estendeu a mão e olhou-me diretamente nos olhos. “Vamos embora.”