Cinco minutos após o nosso divórcio, peguei meus filhos e parti para Londres — enquanto toda a família do meu ex comemorava a gravidez da amante dele, até que uma frase dita durante o ultrassom destruiu tudo…

Parte 1

Nem cinco minutos haviam se passado desde que assinei os papéis do divórcio quando meu ex-marido atendeu uma ligação da amante bem na minha frente e disse a ela, com a voz mais suave que eu já o tinha ouvido usar, que estava a caminho para ver “o bebê deles”.

Foi exatamente naquele momento que percebi que não havia perdido meu casamento naquela manhã.

Eu havia escapado daquilo.

O escritório do mediador era luminoso demais, impecável demais, silencioso demais para o tipo de destruição que se desenrolava em torno daquela mesa de conferência polida. Meu nome é Catherine Harlow. Eu tinha trinta e dois anos, era mãe de duas crianças menores de dez anos e acabara de terminar um casamento de oito anos com David Harlow — o homem que certa vez chorou ao colocar uma aliança no meu dedo e prometer que eu nunca teria que enfrentar o mundo sozinha.

Aprendi que as promessas muitas vezes não passavam de mentiras belamente embaladas.

O relógio na parede marcava 10h03. Mal minha caneta havia se levantado do papel quando o celular de David acendeu. Ele nem olhou para mim antes de atender.

“Sim, terminei”, disse ele, já se levantando, impaciente. “Me dê dez minutos. Chego aí antes de te chamarem. Hoje é o ultrassom, certo?”

Ele sorriu.

Deu um sorriso de verdade.

Então veio a frase que destruiu a última ilusão que eu ainda nutria.

“Não se preocupe, toda a minha família virá. Afinal, seu filho é o herdeiro da nossa família.”

Meu estômago deveria ter se contraído. Meu coração deveria ter se despedaçado. Mas, em vez disso, senti uma calma estranha e pesada — como se minha dor tivesse queimado por tanto tempo que finalmente se transformou em cinzas.

Do outro lado da mesa, o mediador pigarreou e deslizou os documentos restantes em direção a David. “Sr. Harlow, se o senhor pudesse revisar os termos do acordo—”

David fez um gesto de desdém, assinou sem nem ler e jogou os papéis de volta. “Não há nada para revisar. Ela não fica com nada. O apartamento é meu. O carro é meu. Se ela quiser as crianças, pode levá-las. Francamente, isso facilita as coisas.”

Sua irmã mais velha, Megan, que insistiu em comparecer como se meu divórcio fosse algum tipo de entretenimento familiar, soltou uma risadinha. “Exatamente. David está recomeçando do zero. Ele não precisa de bagagem extra.”

Uma de suas tias, parada junto à janela com um terninho creme e perfume em excesso, estalou a língua. “Um homem tem o direito de querer um filho. Todo mundo sabia que Catherine nunca foi suficiente para ele.”

Outra voz acrescentou: “E agora ele finalmente tem uma mulher que pode dar à família o que ela merece.”

O que merece.

Não é quem merece.

O que.

Peguei minha bolsa e coloquei um molho de chaves sobre a mesa. “Estas são as chaves do apartamento.”

David olhou para baixo, momentaneamente surpreso, e depois recostou-se com uma expressão presunçosa. “Ótimo. Pelo menos você entende como isso funciona.”

Eu o ignorei e tirei dois passaportes azul-marinho do bolso.

“Os vistos das crianças foram aprovados na semana passada”, eu disse.

David franziu a testa. “Que vistos?”

“Vou levar Aiden e Chloe para Londres.”

O quarto ficou completamente em silêncio.

Megan reagiu primeiro. “Você é o quê?”

Encarei David. “Vou levar meus filhos para Londres.”

David soltou uma risada curta e fria. “Você nem consegue pagar seus próprios honorários advocatícios, Catherine. Como exatamente você vai levar duas crianças para o exterior?”

“Não se preocupe com as minhas finanças.”

“Esses são meus filhos”, ele disparou.

“E, no entanto, você acabou de assinar a papelada me dando permissão para levá-las.”

Sua boca abriu e fechou-se novamente.

Pela primeira vez naquela manhã, a incerteza cruzou seu rosto.

Não é arrependimento. Não é desilusão amorosa.

Apenas incerteza.