Também deixei de acreditar que a dor automaticamente torna as pessoas nobres. Não torna. A dor pode tornar as pessoas amargas, cruéis, manipuladoras, vazias. A sobrevivência só se torna força quando você se recusa a transmitir seus traumas aos seus filhos.
Isso se tornou meu verdadeiro trabalho.
Daqui a alguns anos, Aiden e Chloe poderão se lembrar do divórcio de forma diferente da minha. Talvez se lembrem de aeroportos e lágrimas, de uma casa estranha que aos poucos se torna um lar, de ligações constrangedoras com o pai, de aniversários divididos entre continentes. Talvez se lembrem mais da confusão do que dos detalhes.
O que eu espero que eles mais se lembrem é o seguinte:
Eles eram procurados.
Eles estavam protegidos.
Eles nunca foram a causa de nada ter quebrado.
Numa manhã ensolarada do final de maio, quase três anos depois do dia em que assinei os papéis, eu estava sentada num banco ao lado do lago enquanto Chloe desenhava patos e Aiden jogava futebol com os amigos. Nick se aproximou carregando dois cafés e me ofereceu um.
“Você parece satisfeito”, disse ele.
“Eu sou.”
Ele sentou-se ao meu lado. “Seu pai teria orgulho de você.”
Olhei para a água que cintilava sob o sol. “Espero que sim.”
“Ele teria sido.”
Ficamos sentados em silêncio por um tempo.
Então Nick perguntou: “Você se arrepende alguma vez de não ter voltado?”
Eu sorri levemente. “Para Nova Iorque?”
“Para David.”
A resposta veio facilmente porque o tempo a havia purificado.
“Não”, eu disse. “Me arrependo de ter ficado tanto tempo. Mas não me arrependo de ter ido embora.”
Nick assentiu com a cabeça, como se essa fosse exatamente a resposta que esperava.
Do outro lado do gramado, Chloe acenou animadamente. “Mamãe! Olha meu pato!”
Acenei de volta.
Aiden gritou: “Eu marquei um gol!”