Abri a porta mais. “Vamos ver o que o Randy tem lá dentro.”
Sarah colocou a mochila na minha mesa da cozinha como se fosse um objeto sagrado.
— Diga-me — eu disse.
Ela balançou a cabeça. “Abra.”
Meus dedos tremeram enquanto eu abria o zíper da bolsa.
Eu fiquei de olho nisso.
Dentro havia agulhas de tricô, fios de lã lilás e branca, um molde de papel e algo disforme, embrulhado em papel de seda.
Eu o retirei.
Supostamente representava um unicórnio. Uma das pernas estava inacabada, o corpo estava inclinado para o lado e o pequeno rabo branco estava torto.
“Aula de desenho”, disse Sarah rapidamente. “A professora Bell disse que presentes feitos à mão são mais bonitos porque exigem tempo e carinho. A maioria das crianças fez marcadores de livros, mas o Randy queria um unicórnio.”
“Por que um unicórnio? Ele adorava dinossauros.”
Ela limpou o nariz na manga. “Ele disse que você gostou deles.”
Randy queria um unicórnio.
Apertei o brinquedo inacabado contra o meu peito.
Eu já disse isso há alguns meses, em resposta àquela caneca feia de unicórnio com um buraco na alça.
‘Ele se lembrava disso?’, sussurrei.
Sarah assentiu com a cabeça. “Acho que ele se lembrou de tudo.”
Havia um pedaço de papel debaixo da linha.
Ele se lembrava disso?
“Mãe, ainda não acabou.”
Não ria. Sarah disse que a curva é a parte mais difícil. A Sra. Bell disse que não havia mais tempo para o Dia das Mães.
Eu te amo mais do que cereais matinais.
Eu te amo, Randy.
Antes que eu pudesse interromper o som, ele me deixou.
Sarah também começou a chorar.
“Mãe, ainda não acabou.”
— Desculpe — disse ela, enquanto esfregava o nariz com a manga novamente. — Tem mais alguma coisa aí dentro.
Encontrei um pedaço de papel amassado, dobrado num pequeno canto, como se Randy tivesse tentado escondê-lo.
Minhas mãos tremeram quando as abri.
Querida mãe,