Amara olhou novamente para o espelho. Atrás de seu reflexo, uma fotografia emoldurada estava pendurada na parede. Tinha sido tirada na nova redação da American Vista, na noite de inauguração. Ela estava no centro, cercada por produtores, editores, cinegrafistas, pesquisadores, assistentes, estagiários e repórteres de todas as idades e origens. Ninguém a havia colocado na extremidade. Ninguém precisou abrir espaço para ela por favor.
A moldura era larga porque ela a havia construído dessa forma.
Lá fora, Manhattan se movia sob um céu frio e límpido. Em Chicago, sua mãe estava sentada em uma casa de tijolos repleta de livros. Em Tahoe, a neve eventualmente derreteria do telhado de uma pousada que já não sabia mais como fingir que não tinha presenciado nada. Em algum lugar, Preston Winthrop estava aprendendo que um nome podia abrir portas, mas não absolvia o homem que as atravessava. Em algum lugar, Tessa anotava fatos porque agora entendia que fatos podiam mudar a atmosfera de um ambiente.
E Amara, a quem antes fora mandada ficar em seu lugar, finalmente entendeu a resposta que deveria ter dado anos atrás.
O lugar dela não era na ponta da mesa.
Seu lugar era onde quer que sua voz pudesse chegar.
O FIM