A ARROGÂNCIA DA NOITE DE SEXTA-FEIRA

A ARROGÂNCIA DA NOITE DE SEXTA-FEIRA

Na noite em que minha esposa mencionou o reencontro da turma do ensino médio, eu nem sequer tive a decência de largar o celular. Fiquei rolando a tela do celular, absorto na satisfação pessoal que eu sentia com a minha carreira, enquanto ela estava parada na porta da cozinha. A luz do abajur iluminava a borda do convite cor creme que ela segurava. Havia uma ternura esperançosa e trêmula em seu sorriso — aquele olhar de quem oferece um pedaço do coração e espera para ver se você vai pisoteá-lo.

Sem levantar os olhos, movida por uma arrogância impensada e confortável, falei. “Você realmente quer ir, Sarah?”, disse, num tom leve, quase condescendente. “Quer dizer… pode ser um pouco desconfortável, não acha? Você foi dona de casa por dez anos. Todo mundo vai estar falando sobre programas de parceria e startups. Você pode simplesmente… se sentir deslocada.”

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