“Seu irmão estava vestindo apenas roupas leves quando o encontramos”, continuou o detetive Morrison. “Sem jaqueta, sem botas, proteção insuficiente para as condições climáticas que tivemos nas últimas três semanas. Acreditamos que ele possa ter sido amarrado e abandonado neste local.”
Contido e abandonado. As palavras pintavam um quadro horrível demais para ser totalmente compreendido. Danny, que tinha medo do escuro, que odiava sentir frio, que certa vez se perdeu na floresta durante um acampamento e entrou em pânico até que o encontrássemos. Danny, sozinho e indefeso na região selvagem e gelada, enquanto Marcus retornava para sua cabana aquecida.
“Você prendeu Marcus?”, perguntou Rachel, fazendo a pergunta que eu não conseguia formular.
“O Sr. Webb está sendo interrogado neste momento”, respondeu o detetive Morrison. “No entanto, preciso ser honesto com o senhor: as evidências físicas são limitadas devido às condições climáticas e ao tempo decorrido até que o corpo do seu irmão fosse encontrado. Estamos construindo nosso caso principalmente com base em evidências circunstanciais e depoimentos de testemunhas.”
Evidências circunstanciais. A expressão parecia inadequada para a magnitude do que Marcus havia feito. Danny estava morto — assassinado — e seu assassino poderia escapar da justiça porque a neve e o tempo haviam apagado as provas de sua culpa.
“O que vocês precisam de nós?”, perguntei, compreendendo que o luto teria que esperar enquanto nos concentrávamos em garantir que Marcus enfrentasse as consequências de seus atos.
“Preciso que me conte tudo o que sabe sobre a relação entre seu irmão e o Sr. Webb, principalmente quaisquer ameaças ou comportamentos intimidatórios que tenham ocorrido após o julgamento”, disse o detetive Morrison, pegando um pequeno gravador. “Cada detalhe pode ser importante.”
O desenrolar da investigação:
Nos dias seguintes, a extensão total do planejamento de Marcus ficou clara por meio de interrogatórios policiais e coleta de provas. Não se tratava de um crime passional ou de um confronto que deu errado — era um ato de vingança calculado que Marcus vinha planejando há meses.
Os registros telefônicos mostraram que Marcus estava rastreando os movimentos de Danny, ligando repetidamente para o número dele para determinar sua localização e agenda. Ele pesquisou sobre a entrevista de emprego de Danny por meio de conhecidos em comum, descobrindo exatamente quando e onde Danny estaria dirigindo naquela tarde de quinta-feira.
Imagens de câmeras de segurança de vários locais rastrearam os movimentos de Marcus no dia do desaparecimento de Danny. Ele seguiu Danny até a entrevista de emprego, esperou no estacionamento durante a reunião e, em seguida, aproximou-se da caminhonete de Danny quando este retornou.
O que aconteceu a seguir só pôde ser reconstruído por meio de evidências e suposições fundamentadas. Com base no estado da caminhonete de Danny e na ausência de sinais de luta, os investigadores acreditavam que Marcus, de alguma forma, havia convencido Danny a ir com ele voluntariamente — possivelmente alegando querer se desculpar ou reparar o dano causado.