Eu tinha acabado de finalizar a compra da casa de praia quando minha irmã ligou.
A tinta nos documentos da escritura mal tinha secado. Eu ainda estava parada na sala de estar vazia, descalça no piso frio de madeira, olhando através das amplas portas de vidro para o Atlântico, que mudava de cinza e prata além das dunas. A casa cheirava a tinta fresca, ar do mar e novos começos.
Pela primeira vez em doze anos, algo era verdadeiramente meu.
Então meu telefone vibrou.
O nome da minha irmã apareceu na tela: Marissa.
Quase deixei tocar. Marissa nunca ligava a menos que precisasse de algo de mim.
“Olá?”
“Finalmente”, ela disparou. “Eu estava te mandando mensagens.”
“Estou em casa”, eu disse, ainda sorrindo apesar de mim mesma. “Acabei de pegar as chaves.”
“Ótimo. É por isso que estou ligando.” Sua voz se iluminou de entusiasmo, não pela minha felicidade, mas pelos seus próprios planos. “Escute com atenção. Chegarei na sexta-feira com vinte e dois parentes do meu marido. Limpe os quartos, prepare as refeições para todos e certifique-se de que haja toalhas suficientes. Ficaremos duas semanas.”
Por um instante, o som do oceano pareceu desaparecer da minha mente.
Olhei em volta da casa vazia. Três quartos. Um escritório. Uma pequena sala de estar. Uma cozinha equipada com eletrodomésticos novinhos em folha, pelos quais eu havia economizado durante anos. Um terraço onde eu me imaginava tomando café em solidão.