Entrei na igreja com o lábio rachado e o véu rasgado. Meu noivo deu um sorriso irônico para os padrinhos e disse em voz alta: “Ela precisava de um lembrete de quem manda antes de assinarmos os papéis”. Toda a congregação riu baixinho, inclusive a mãe dele. Eu não chorei. Calmamente, peguei um pen drive do meu buquê e o conectei diretamente ao projetor do pastor. “Vamos ver o verdadeiro lembrete”, sussurrei, enquanto a tela ganhava vida atrás dele.
Desci o corredor com o lábio rachado e o véu rasgado, e cada passo parecia uma frase sendo lida em voz alta. Sangue seco marcava o canto da minha boca, mal disfarçado sob a poeira, enquanto as pérolas do meu vestido tremiam como se soubessem a verdade.
A igreja estava lotada. Rosas brancas. Velas douradas. Trezentos convidados fingindo que não estavam olhando muito de perto.