Em San Antonio, no Texas, diz-se há séculos que os casamentos revelam o melhor das famílias.
Madison tinha visto durante toda a sua vida como, em meio à música country e ao champanhe que corria à vontade, até os pais mais inflexíveis sentavam-se na igreja, enxugavam as lágrimas e, por um dia, fingiam que as antigas mágoas não existiam mais.
Mas para a família Bennett, o casamento de Madison apenas alimentou o ressentimento que haviam reprimido por anos. Aos trinta e dois anos, ela era segunda capitã e piloto da Força Aérea dos EUA.
Para seu pai, Frank, ela não passava de “uma garota teimosa que se achava um homem”. Ele era antiquado e não suportava o fato de sua filha inspirar respeito, pilotar aviões e ter total autonomia sobre a própria vida.
Para sua mãe, Carol, Madison era a filha egoísta, aquela que se recusava a ficar quieta, a se comportar bem e a se conformar com a vida obediente que todos esperavam dela.
E então havia Tyler. Vinte e oito anos, desempregado, ainda dependente dos pais, e mesmo assim constantemente elogiado pelo fato de não fazer absolutamente nada.
Madison foi treinada para sobreviver. O exército lhe incutiu disciplina: dormir menos, reagir rapidamente, nunca reclamar. Mas nenhum treinamento prepara você para a dor de perceber que sua própria família a odeia, simplesmente porque você é forte.