
No início, tudo era novidade: preparar as refeições, contar histórias, consolar as tristezas, aprender a reconhecer as lágrimas de cansaço, medo ou fome. Os dias eram longos, mas repletos de risos, desenhos pregados na parede e pequenos rituais diários.
Sem perceber, nos tornamos inseparáveis. Eu não era mais apenas a avó dela, eu havia me tornado um ponto de referência, um lar, uma fonte de segurança.
Os anos se passaram e o menino cresceu. Eu tinha orgulho dele, orgulho do que havíamos construído juntos, apesar das dificuldades. O amor de uma avó preencheu cada dia de sua infância.
O dia em que tudo desmoronou

Então, um dia, sem aviso prévio, a mãe da criança voltou. Elegante, segura de si, com documentos oficiais e decisões já tomadas. Em poucas horas, minha vida mudou completamente.
Não importava quantos anos fossem necessários para criá-lo, quantas noites em claro, quantos aniversários fossem organizados, quanta lição de casa fosse feita, quantos medos fossem acalmados e quantas histórias fossem contadas antes de dormir. O que importava era a lei, a papelada, a biologia.