Fui obrigada a sair da leitura do testamento do meu padrasto — três dias depois, o advogado me ligou de volta.

Três dias depois, meu telefone vibrou. Era o advogado do meu padrasto. Sua voz soava extremamente cautelosa, mas urgente. Ele me disse que havia surgido uma “emergência” e que eu precisava ir ao seu escritório imediatamente. Entrei em pânico; pensei que tinha feito algo errado ou que havia ocorrido um erro administrativo.

Quando cheguei, o escritório estava completamente vazio e silencioso. O advogado fez um gesto gentil para que eu me sentasse e então desapareceu na sala de arquivos. Quando retornou, trazia nas mãos uma pequena caixa de madeira, cujas bordas haviam sido desgastadas e alisadas pelo tempo.

 

“Ele deixou instruções muito rigorosas”, disse o advogado em voz baixa. “Isso tinha que ser entregue a você pessoalmente, sem falta.”

Minhas mãos tremiam incontrolavelmente enquanto eu abria o pequeno fecho de latão. Lá dentro havia fotos. Uma Polaroid nossa, rindo na margem de um rio com varas de pesca tortas nas mãos. Uma foto dele gargalhando enquanto eu segurava orgulhosamente um peixinho que, na verdade, era pequeno demais para me gabar. Abaixo disso, havia certificados escolares que eu nem lembrava de ter levado para casa, cuidadosamente empilhados e guardados com o maior zelo.

E então eu vi as letras.

Era uma carta para cada ano da minha vida em que ele me criou. Quinze no total. Abri a primeira com os dedos trêmulos. Depois a segunda. Cada página estava completamente preenchida com sua caligrafia familiar, um tanto desleixada — orgulhosa, às vezes um pouco desconfortável, mas sempre dolorosamente honesta. Ele escreveu sobre como gostava de me ver crescer, sobre as noites em que se preocupava quando eu ficava quieta demais e sobre como o fato de ter se tornado meu pai era a melhor coisa que já lhe acontecera.