Muitas vezes, essas pessoas são simplesmente consideradas descuidadas ou incapazes de arrumar, mas a realidade é muito mais perturbadora. Por trás dessas casas desorganizadas, esconde-se um profundo sofrimento psicológico, frequentemente ligado a uma antiga ferida. Longe de ser uma escolha de estilo de vida, esse acúmulo compulsivo revela um mecanismo de defesa que aqueles ao seu redor têm dificuldade em compreender.
A síndrome de Diógenes, identificada pela primeira vez em 1975 pelo geriatra britânico Clark, não se resume a uma simples questão de desordem doméstica. Trata-se de um transtorno com múltiplas origens, que combina uma relação extrema com objetos, higiene pessoal precária e isolamento social. Embora seja mais comum em idosos, essa síndrome pode afetar pessoas de todas as idades. Ao contrário da crença popular, não está sistematicamente associada a doenças como Alzheimer ou esquizofrenia. De fato, quase metade dos afetados não apresenta nenhum transtorno psiquiátrico diagnosticado.
Para o psicogeriatra Jean-Claude Monfort, esse acúmulo compulsivo é, primordialmente, uma resposta a um trauma. Esse choque pode ocorrer durante a infância ou a vida adulta, após uma ruptura familiar repentina, um luto ou uma perda de equilíbrio desestabilizadora. Esses eventos fragilizam profundamente o indivíduo, que então desenvolve uma resistência psicológica particular. O acúmulo torna-se um escudo inconsciente, uma forma de se tranquilizar e recriar uma proteção contra a ansiedade. Jean-Claude Monfort compara esse mecanismo à história do filósofo Diógenes de Sinope, que, após ter vivido uma vida confortável, escolheu a miséria radical: aqui, é o oposto, mas a necessidade de controle e proteção é a mesma.