PARTE 1

O aviso de despejo foi afixado na minha porta da frente com uma fita adesiva azul de pintor.

Por um estranho segundo, antes de entender o que estava lendo, notei que meu filho ao menos havia escolhido uma fita adesiva que não danificaria a pintura.

Era uma tarde de terça-feira no início de outubro. Eu tinha acabado de voltar da minha horta comunitária carregando uma sacola de tomates quando encontrei o aviso me ordenando a deixar o número 1120 da Rua Ellsworth em trinta dias.

Eu havia comprado aquela casa com meu falecido marido em 1979.

Tínhamos quitado a hipoteca em 2004.

E aos setenta e um anos de idade, eu estava sendo expulso de lá pelo meu próprio filho.

Meu nome é Constance Ojo. Para explicar como isso aconteceu, preciso começar oito meses antes, quando tomei a pior decisão da minha vida, acreditando que tinha as melhores razões.

Meu marido, Samuel, e eu compramos a estreita casa de tijolos logo depois de chegarmos à América. Não tínhamos quase nada, mas queríamos que nossos filhos crescessem em um lugar permanente.

Samuel dirigia um caminhão de entregas. Eu comecei como auxiliar de hospital e depois me tornei enfermeira após anos de aulas noturnas.

Economizamos cada centavo que pudemos.