O que eu pensava estar doando… voltou para mim de uma forma que eu jamais esperava.

Numa fria noite de inverno, aquecendo-me junto à lareira com uma taça de vinho, ela olhou para mim e disse com uma voz suave e frágil: “Sabe, no ano passado guardei essas roupas cuidadosamente dobradas numa gaveta do nosso apartamento novo durante meses, até que finalmente me senti pronta e forte o suficiente para recomeçar. Queria devolver a caixa… não porque não precisássemos mais das peças, mas porque queria desesperadamente que você soubesse que a sua bondade altruísta não se perdeu no vazio. Ela literalmente nos carregou durante o período mais difícil.”

Um patinho na mesa de cabeceira

Mas a história do patinho amarelo não foi interrompida durante aquelas noites aconchegantes junto à lareira.

Há duas semanas, recebi um envelope na caixa de correio. Era um convite oficial para a posse de Nura. Depois de anos de estudo incansável, aulas noturnas e jornadas de trabalho duplas enquanto criava a filha como mãe solteira, ela finalmente conquistou seu diploma com distinção e foi aceita como assistente social pela prefeitura. Elas trabalharão especificamente no departamento de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade, vítimas de violência doméstica como elas…

Durante a pequena recepção que se seguiu, Nura caminhou até a frente para fazer um discurso. Sua filhinha, que já havia crescido bastante, estava orgulhosamente à frente, de mãos dadas com a minha filha. Nura olhou ao redor da sala e seu olhar repousou sobre mim.

“Anos atrás”, ela começou com uma voz confiável, “fugi sem nada além de desespero nos bolsos. Fui ajudada por pessoas maiores, mas a verdadeira tábua de salvação foi definida para mim por uma desconhecida na internet, que até deixou de lado sua imensa dor para acolher uma dor tão fria. Essa mulher está ali no fundo da sala.”

Todos na sala se viraram e olharam para mim. Nura sorriu e tirou algo do bolso de seu elegante casaco. Era um patinho de crochê amarelo, pequeno e novinho em folha.

“No pacote que salvou minha vida, havia um patinho da sorte. E hoje anuncio que a fundação que a prefeitura me autorizou a criar — uma fundação que fornece pacotes de emergência anônimos e brinquedos para mães e crianças em fuga — se chamará ‘O Patinho Amarelo’.” Ela olhou para mim com lágrimas de felicidade nos olhos. “Porque o amor nunca se perde. Ele apenas se transforma.”

Hoje, o patinho de crochê original está de volta exatamente ao seu lugar: na mesinha de cabeceira de madeira da minha filha. A lã desfiou um pouco com o tempo, a cor desbotou ligeiramente e os dois olhinhos de botão pretos estão meio tortos…