No primeiro aniversário da minha filha, minha sogra ergueu o copo na frente de toda a família e perguntou quem era o verdadeiro pai, porque o bebê tinha olhos azuis. Todos esperavam que eu chorasse.
Em vez disso, peguei dois envelopes na minha bolsa.
Minha filha, Lucía, tinha acabado de aprender a bater palmas. Ela estava sentada no meu colo, vestindo um vestido branco com babados, suas mãozinhas dando tapinhas na minha blusa enquanto seus olhos azuis fitavam as luzes como se fossem estrelas. Sua boca estava cheia de migalhas de biscoito, porque ela já tinha aprendido que festas deixavam os adultos descuidados e os bebês oportunistas.
A sala estava repleta de rosas brancas, toalhas de mesa cor de marfim, taças com aros dourados e parentes que falavam em voz baixa, como se até suas vozes tivessem que soar requintadas.
Foi uma festa linda.
Lindo demais.
