Meu marido escolheu minha irmã e me engravidou em segredo — um ano depois, ele viu minha academia favorita, meu noivo e o bebê…

PARTE 2

A mulher atrás do balcão da recepção parecia capaz de levantar uma geladeira sem pedir ajuda.

Seu nome era Ruth Keller. Ela tinha sessenta e dois anos, um metro e sessenta de altura, com cabelos grisalhos cortados rente nas laterais e braços que pareciam esculpidos em madeira antiga. A academia exalava o cheiro de piso emborrachado, suor, desinfetante e esforço obstinado. Em algum lugar nos fundos, o som de metal batendo um no outro era enérgico. Um homem se esforçava sob uma barra. Uma mulher de leggings neon praguejava para um remo ergométrico.

Ruth me examinou da cabeça aos pés por cima dos meus óculos de leitura vermelhos.

“Você está aqui para o trabalho de limpeza ou para assombrar o prédio?”, ela perguntou.

Quase sorri.

Quase.

“O emprego”, eu disse.

Você já limpou vestiários?

“Fui casado durante sete anos.”

Ruth soltou uma risada aguda. “Está bom o suficiente.”

Ela me contratou na hora.

O salário era péssimo. O horário era pior ainda. Eu esfregava o chão antes do amanhecer, limpava os chuveiros depois do expediente e esvaziava latas de lixo que fediam a proteína em pó e a decisões ruins. Mas havia algo de quase sagrado naquele lugar. Ninguém se importava com quem tinha sido abandonada pelo marido. Ninguém se importava que as fotos de biquíni da minha irmã tivessem cinquenta mil curtidas. Ninguém se importava que minha mãe só ligasse quando queria que eu “me comportasse como uma adulta” e comparecesse às reuniões de família onde Joseph e Ashley ficavam sentados de mãos dadas.

Na academia Iron Haven, o sofrimento tinha um propósito.

A primeira vez que Ruth me encontrou chorando no depósito, ela não me perguntou o que tinha acontecido. Ela simplesmente me entregou uma toalha e disse: “Venha comigo”.

Ela me levou para a sala de musculação, apontou para uma barra vazia e disse: “Pegue-a”.

“Não sei como.”