Íris levantou-se de um salto. “Ele está aqui!”
“Vou ganhar tempo com ele por dois minutos enquanto você calça os sapatos.”
“Não o interroguem.”
“Sem promessas.”
—
Ryan estava parado na nossa varanda, de smoking, com flores na mão.
Boa noite, Sra. Jane.
“Só a Jane já basta. Entre.”
“Prometo que a trarei para casa até meia-noite”, disse ele.
“Onze e cinquenta e nove. À meia-noite, começo a ligar para os hospitais.”
Ele sorriu. “Sim, senhora.”
Então Iris desceu as escadas.
Ryan parecia ter esquecido como as palavras funcionavam.
“Nossa”, disse ele suavemente. “Você está linda.”
Íris corou. “Você está muito… de smoking. Desculpe. Não sei por que eu disse isso.”
Por alguns minutos, tudo pareceu normal.
Tirei fotos demais, e o Ryan abriu a porta do carro para ela.
Eu os observei até que suas lanternas traseiras desapareceram.
Horas depois, meu telefone vibrou.
“Mãe! Você não vai acreditar no que acabou de acontecer!”
Sorri enquanto respondia.
“O quê? Está tudo bem?”
A resposta dela chegou rapidamente.
“Eu te conto quando chegar em casa. É… uma loucura.”
“Loucura boa ou loucura má, Iris? Você está segura?”
À meia-noite, eu já tinha aberto um caminho entre o sofá e a janela.
Às 12h07, os faróis varreram as cortinas, e eu abri a porta antes mesmo que eles chegassem à varanda.
“Íris?”
Ela entrou primeiro, com os olhos brilhantes e frenéticos.
“Mãe, aconteceu uma coisa hoje à noite, e eu nem sei como explicar.”
Você está ferido?
“Não. Foi simplesmente estranho.”
Ryan entrou em seguida.
Ele parecia pálido.
Iris deixou cair os sapatos perto da escada. “O padrasto do Ryan apareceu no baile de formatura.”
Senti um aperto no estômago.
“Certo. E daí?”
“Ele surpreendeu o Ryan. Voltou mais cedo do trabalho porque queria vê-lo de smoking antes do fim da noite. No começo foi fofo. O Ryan me apresentou, e o padrasto dele congelou. Tipo, congelou completamente. Ele ficava perguntando meu nome. Aí perguntou sobre você. Quer dizer, sobre meus pais.”
Meus dedos se apertaram em torno do batente da porta.
Qual era o nome dele?
Íris franziu a testa. “Tony.”
O quarto pareceu encolher.
“Mãe?”, disse Iris.
“Desculpe. Engoli errado.”
“Não, você não fez isso”, disse Ryan, olhando para mim.
Iris olhou de um de nós para o outro. “Ryan, você quer água? Você mal falou desde que saímos.”
“Estou bem, Iris. Acho que só estou cansada de dançar.”
“Não, você não está bem. Eu vou pegar.”
No instante em que ela desapareceu na cozinha, Ryan levantou a cabeça.
—
“Você sabia.”
“Ryan…”
“Não. Não tente amenizar. Você sabia que Anthony era o pai dela. Ele geralmente usa o nome Tony.”
Encostei uma das mãos na parede. “Eu não sabia que ele era seu padrasto.”
Sua expressão mudou como se eu o tivesse atingido.
“É isso que importa para você agora?”
“Fale baixo. Ela está na cozinha.”
“Eu sei onde ela está. Passei a noite toda protegendo-a disso.”
Minha garganta se fechou. “Você não entende o que aconteceu entre Anthony e eu.”
“Eu entendo esta noite.” Suas mãos tremiam. “Apresentei minha acompanhante do baile ao meu padrasto, e ele ficou com uma cara de quem tinha perdido a cabeça.”
Fechei os olhos.
“Então ele me puxou para o corredor”, disse Ryan. “Ele disse: ‘Essa é minha filha.’ Você sabe o que eu senti?”
“Ryan, por favor.”
“Não. Você sabe o que foi estar ali parada e perceber que Iris era a única pessoa que não sabia quem era?”
“Ele faltou às visitas”, eu disse. “Ele escolheu o trabalho. Ele escolheu sua nova vida.”
“Ele disse que tentou vê-la.”