“Tudo bem”, sussurrei. “Eu me casarei com você. Mas se você estiver escondendo algo que magoe minha filha, eu nunca o perdoarei.”
Adrian olhou para mim como se eu já o tivesse ferido.
“Eu sei”, disse ele.
O casamento no cartório durou onze minutos.
O funcionário perguntou se estávamos entrando no casamento por livre e espontânea vontade.
Adrian disse que sim. Então ela olhou para mim.
Pensei na mão de Lisa na minha, quente, mas imóvel, e forcei a palavra a sair.
“Sim.”
Não havia música nem testemunhas alegres, apenas um buquê murcho que seu motorista comprara em um posto de gasolina no caminho.
Quando o oficial de justiça nos declarou casados, Adrian não tentou me beijar. Ele apenas apertou meus dedos frios com força.
“A Lisa vai ser transferida?”, sussurrei.
“Esta noite”, disse ele. “Eu mesmo farei isso.”
De volta à mansão, Adrian dispensou a enfermeira, a governanta e o motorista.
“Todos para fora.”
A enfermeira olhou para mim. “Tem certeza?”
Olhei para Adrian. Seu rosto estava pálido, mas firme.
“Vai”, eu disse.
Quando a porta se fechou, ele retirou o envelope carmesim.
“Abra.”
Senti um revirar de estômago.
Na frente, havia um nome.
Lisa.
“Por que você tem isso?”
“Porque foi exatamente por isso que eu precisei de você.”
Eu o rasguei.
A primeira página era um relatório de acidente.
O nome de Adrian. Seus pais, falecidos no local. Em seguida, na seção de sobreviventes, Lisa.
“Não.”
“Continue lendo.”
Virei a página e vi o Honda azul da Lisa sob as luzes de emergência. A chuva batia no capô amassado. Do espelho retrovisor pendia o chaveiro de capa de chuva amarela.
Meus joelhos fraquejaram. “Ela estava lá.”
A voz de Adrian falhou. “Sim.”
“Minha filha estava no seu acidente.”
“Nosso acidente.”
Eu me virei para ele. “Você sabia.”
“Não quando nos conhecemos.”
“Mas antes de hoje.”