‘Há algo que preciso te contar’, ele sussurrou.
Eu me aproximei.
“O que?”
Seus olhos procuraram os meus.
Então ele balançou a cabeça negativamente.
“Ainda não.”
“Carl—”
Quero que vocês continuem se lembrando de mim por mais um tempo como a pessoa que conheceram nesta casa.
Você me assusta.
“Desculpe.”
Ele tocou minha mão.
Eu nunca menti sobre o quanto sua gentileza significou para mim. Aconteça o que você descobrir depois, por favor, acredite em mim.
Eu havia prometido isso, embora não entendesse o motivo.
Na nona noite, dormi numa cadeira ao lado da cama dele.
Pouco antes do amanhecer, ele acordou e me pediu para abrir as cortinas.
O céu ficou rosa claro.
— Lindo — murmurou ele.
“Sim.”
Não estou falando do ar.
Revirei os olhos, mas chorei.
Foi quase romântico.
Eu pratiquei.
Ele ficou sério.
Obrigado por ter dito sim.
Obrigado pela sua pergunta.
Ninguém jamais me escolheu sem querer algo em troca.
“Eu queria alguma coisa.”
Ele parecia preocupado.
“O que?”
Mais uma partida de xadrez.
Você ainda não venceria.
Nunca saberemos.
Ele sorriu e fechou os olhos.
Carl morreu na noite seguinte, com a minha mão na dele.
Suas últimas palavras foram simples.
“Não estou sozinho.”
A batida na porta após o funeral.
O funeral de Carl foi pequeno.
O padre Michael conduziu a cerimônia. Rachel estava ao meu lado. Alguns funcionários do centro de cuidados paliativos estavam presentes, juntamente com várias pessoas que eu não reconheci.
Eles usavam ternos caros e não paravam de me encarar.
Uma senhora mais velha encarava abertamente o anel de prata no meu dedo. Seu olhar não demonstrava a menor compaixão.
Só raiva.