Ela foi considerada inadequada para o casamento, então seu pai a entregou ao escravo mais forte, Virgínia, em 1856.

Eu martelava repetidamente. Meus braços ardiam. Meus ombros doíam. O suor escorria pelo meu rosto. Mas eu realizava trabalho físico; eu moldava o metal com minhas próprias mãos. Quando o ferro esfriou, Josiah ergueu a peça ligeiramente torta.

‘Seu primeiro projeto. Não é nada de especial, mas você conseguiu.’ Ele largou o ferro de passar. ‘Você é mais forte do que pensa. Você sempre foi forte. Só precisava da empresa certa.’

A partir daquele dia, passei horas na forja. Josiah me ensinou os princípios básicos: como aquecer o metal, como martelá-lo e como moldá-lo. Eu ainda não tinha força suficiente para trabalhos pesados, mas conseguia fazer pequenos objetos: ganchos, ferramentas simples e itens decorativos.

Pela primeira vez em 14 anos, desde o acidente, eu me sentia fisicamente capaz de fazer alguma coisa. Minhas pernas não funcionavam, mas meus braços e mãos sim. E na forja, isso bastava.

Mas havia também algo mais em jogo. Algo sobre o qual eu não tinha controle.

Junho trouxe outra revelação. Certa noite, estávamos sentados na biblioteca. Josiah lia Keats em voz alta. Suas habilidades de leitura haviam melhorado tanto que ele conseguia entender textos complexos. Sua voz era perfeita para poesia. Profunda, ressonante, capaz de dar peso a cada verso.

“Algo belo é uma alegria eterna”, leu ele. “Sua beleza aumenta. Jamais desaparecerá no nada.”

— Você realmente acredita nisso? — perguntei. — Que a beleza é eterna.

Acredito que a beleza na memória é eterna. O objeto em si pode perecer, mas a lembrança dessa beleza permanece.

Qual a coisa mais bonita que você já viu?

Ela ficou em silêncio por um momento. Então: ‘Ontem na forja, coberto de fuligem, suando, rindo enquanto você martelava aquele prego. Foi lindo.’

Meu coração disparou. “Josiah, me desculpe. Eu não deveria…”