“O quê?”, exclamou ela. “Era só um bolo!”
“Era uma faca”, eu disse.
Carmen veio na minha direção, mas Daniel segurou seu braço.
“Mãe, pare.”
Tarde demais. O telefone da minha advogada tocou. Ela atendeu, ouviu e depois deu um sorriso frio.
“Sra. Rivas”, disse ela a Marisol, “talvez a senhora queira contatar um advogado. Os auditores da fundação encaminharam o processo de transferência esta manhã.”
O rosto de Marisol empalideceu. Daniel sussurrou:
“Elena.”
Entrei em casa. Todos os cômodos cheiravam mal, a perfume e vinho estragado. Minhas roupas ainda estavam em sacos de lixo. Os brinquedos da Isla tinham sido jogados em um cesto de roupa suja. A mala da Carmen estava aberta no meu quarto. Meu quarto.
“Você se mudou para cá?”, perguntei a ela.
Ela ergueu o queixo.
“Meu filho precisava de apoio.”
“Você quer dizer acesso.”
Coloquei outra pasta na mesa de entrada. Extratos bancários. Faturas de fornecedores. Capturas de tela. Quarenta e sete transferências destacadas em amarelo. Daniel olhou para elas como se pudessem morder.
“Você pegou dinheiro de uma fundação médica infantil”, eu disse. “E depois usou o desabafo da sua irmã para me fazer parecer instável antes que eu descobrisse o resto.”
Marisol começou a chorar.
“Daniel disse que você ia nos arruinar.”
Daniel perdeu a paciência,
“Cale-se.”
Ali estava. A rachadura. Carmen apontou para mim.
“Você planejou isso.”