“Ele está respirando”, disse ele. “Assustado, mas bem.”
No hospital, com as máquinas apitando ao meu redor e a medicação para dor deixando minha língua pesada, liguei para minha mãe.
“Mãe”, eu disse, lutando para me manter acordada. “Sofri um acidente. Preciso que você fique com o Eli por alguns dias.”
Houve uma pausa. Então ouvi o gelo tilintar contra um copo.
“Ai, Maren”, ela suspirou. “Que momento péssimo.”
Fiquei olhando para o teto.
“Estou na sala de emergência.”
“Eu sei”, ela respondeu. “Mas sua irmã nunca tem essas emergências. Chloe se planeja com antecedência. Chloe não cria caos.”
Senti um nó na garganta.
“Mãe, ele tem seis semanas de vida.”
“E eu já paguei pelo meu cruzeiro no Caribe”, disse ela. “Não é reembolsável.”
Durante nove anos, eu paguei a hipoteca, as contas de luz, água e gás, as compras do supermercado, as despesas médicas e um interminável “dinheiro para emergências”. Quatro mil e quinhentos dólares por mês, porque o pai dela tinha morrido e ela dizia que estava se afogando. Porque a Chloe estava sempre “sem oportunidades”. Porque eu era a filha responsável.
“Por favor”, sussurrei.
Sua voz endureceu.
“Contrate alguém. Você tem dinheiro. Não me castigue por ter escolhido ter um bebê sozinha.”
Algo dentro de mim ficou completamente imóvel.
Atrás dela, Chloe riu.
“Diga a ela para ligar para um de seus clientes ricos.”
Mamãe baixou a voz, mas não o suficiente.