PARTE 1
A primeira coisa que senti depois do acidente foi o gosto de sangue. A segunda foi a traição.
A chuva batia com força no para-brisa como se fossem cascalho, enquanto meu filho de seis semanas chorava no banco de trás. O SUV que havia furado o sinal vermelho estava retorcido no cruzamento, com fumaça saindo do capô. Minhas costelas ardiam a cada tentativa de respirar, e minha perna esquerda não se mexia.
“Eli”, sussurrei, virando-me em direção ao bebê conforto. “Meu bem, estou aqui.”
Um bombeiro chegou até ele antes que eu pudesse.