Seis meses após o divórcio, meu ex-marido ligou de repente para me convidar para o casamento dele. Respondi: “Acabei de dar à luz. Não vou a lugar nenhum.” Meia hora depois, ele correu para o meu quarto no hospital em pânico…
“Parabéns”, eu disse, com firmeza e convicção.
“Para Vanessa”, acrescentou ele, demorando-se no nome como uma lâmina. “Você se lembra dela.”
Claro que sim. A “nova consultora de negócios” dele. A mulher cujo perfume impregnava suas camisas. A mesma mulher que se sentou à minha frente durante a mediação, fingindo surpresa enquanto Daniel me descrevia como instável, preguiçosa e “financeiramente dependente”.
“Ela queria que eu te convidasse”, disse Daniel. “Para encerrar o assunto, sabe? Somos adultos maduros.”
Quase ri. Ele tinha esvaziado nossa conta conjunta três dias antes de entrar com o pedido de falência. Disse a todos que eu fingi uma gravidez para prendê-lo. Quando sofri um aborto espontâneo dois anos antes, ele disse que meu luto “prejudicava a imagem dele”.
E agora ele queria que eu me sentasse em uma igreja enquanto ele sorria para as câmeras.
“Acabei de dar à luz”, eu disse. “Não vou a lugar nenhum.”
Seguiu-se um silêncio.
Então sua voz falhou. “O quê?”
“Minha filha nasceu esta manhã.”
“Sua… filha?” Sua respiração ficou mais ofegante. “Emily, de quem é essa criança?”
Encarei a chuva. “Minha.”
“Não entre em jogos.”
“Você me ensinou os jogos, Daniel. Eu só melhorei.”
Trinta minutos depois, a porta do meu quarto de hospital se abriu de repente.
Daniel estava ali parado, de camisa de smoking, o cabelo encharcado pela tempestade, o rosto pálido como giz. Vanessa permanecia atrás dele, com diamantes no pescoço e raiva nos olhos.
Daniel apontou para o bebê. “Diga-me a verdade.”
Uma enfermeira deu um passo à frente. “Senhor, o senhor não pode simplesmente entrar assim—”
“Está tudo bem”, eu disse baixinho.
Os olhos de Daniel fixaram-se na etiqueta do berço.
Bebê Carter. Mãe: Emily Carter.
Ele engoliu em seco. “Carter?”