A jornada começou ao raiar do dia, antes mesmo do sol nascer. O ar frio da manhã cortava meu rosto quando entrei no táxi. O voo e a viagem até o campus passaram num piscar de olhos. Olhei para os campos de nuvens abaixo de mim, perdendo completamente a noção do tempo, enquanto meus pensamentos estavam voltados apenas para ele. Eu simplesmente precisava vê-lo, mesmo que por um instante, para ver com meus próprios olhos e saber por mim mesma que tudo estava bem. Quando o táxi me deixou em frente ao prédio dele, respirei fundo. O campus fervilhava de vida; jovens passavam rindo, carregando mochilas pesadas. No dia seguinte, eu estava parada no corredor mal iluminado em frente ao seu quarto no dormitório, de repente muito mais nervosa do que esperava. Ouvi vozes abafadas e o som grave de um rádio vindo de outro cômodo. Minha mão hesitou por um momento antes de bater na madeira. Ele estaria bravo? Eu estaria ultrapassando seus limites? Quando a porta se abriu, seu colega de quarto pareceu surpreso ao me ver — quase como se soubesse que minha visita inesperada significava mais do que eu demonstrava com um sorriso amigável. Ele tinha um pano de prato na mão e olhou de mim para o corredor, como se estivesse avaliando a situação. Olhou para mim atentamente, viu a preocupação nos meus olhos e então assentiu lentamente.
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Ele não disse uma palavra para alertar meu filho. Deu um passo para o lado silenciosamente e eu entrei, com aquela estranha e pesada mistura de dúvida e certeza que me assombrava como uma sombra desde o telefonema. O quarto do estudante estava bagunçado, um reflexo caótico de uma mente ocupada. O ar cheirava a café velho e livros antigos. Inúmeros esboços estavam espalhados entre as canecas meio vazias sobre a mesa. Reconheci a natureza do seu trabalho: desenhos meticulosos de espaços arquitetônicos escuros e abandonados que ele transformava no papel, passo a passo, em ambientes luxuosos e deslumbrantes. Era como se, em seus desenhos, ele estivesse tentando desesperadamente restaurar o que sentia estar danificado em seu interior. Meu filho estava sentado no canto perto da janela, de costas para a porta, cercado por pilhas altas de livros e anotações espalhadas. Ele olhava para fora sem rumo, o lápis imóvel em sua mão. A luz fria da tarde iluminou seu rosto quando ele se virou. Ele vestia o suéter azul-escuro que eu lhe dera no Natal passado. Ele parecia consideravelmente mais cansado do que eu me lembrava de sua última visita a casa, um pouco mais magro em seu suéter folgado, um pouco mais quieto em todo o seu ser. Havia olheiras profundas sob seus olhos, testemunhas de noites sem dormir. O preço da vida independente era visível. Quando ele olhou para cima e me viu ali parada, seu rosto mudou imediatamente — primeiro pura surpresa, como se estivesse vendo um fantasma, depois algo muito mais suave. Alívio. Foi um alívio profundo e genuíno que fez com que a tensão pesada se dissipasse de seus ombros. Vi sua respiração falhar e depois escapar audivelmente. Não fiz perguntas sobre por que ele havia ligado ou o quão difíceis as coisas tinham sido para ele ultimamente.