Um homem mais velho estava lá fora, com um casaco gasto e botas rachadas, a barba grisalha esvoaçando ao vento. Parecia alguém que tinha sido engolido pela estrada e nunca mais libertado.
Abri um pouco a janela.
— Você está bem? — perguntou ele.
— Não — eu disse.
Ele olhou para a traseira do meu carro. “Você tem um pneu reserva?”
“Sim.”
Abra o porta-malas.
Ele trocou o pneu sem perguntar mais nada. Rapidamente. Calmamente. Com segurança. Como se já o tivesse feito inúmeras vezes.
Fiquei perto dele, com os braços cruzados, observando-o realizar seu trabalho.
Quando terminou, enxugou as palmas das mãos num pano e olhou para mim com os olhos mais tristes que eu já tinha visto.
Então ele disse bem baixinho: “Cuide-se bem, Margaret.”
Tudo dentro de mim ficou imóvel.
Eu não lhe havia dito meu nome.
‘O que você disse?’
Mas ele já estava indo embora.
“Esperar.”
Ele olhou para trás mais uma vez, como se mais palavras estivessem presas dentro dele, depois se virou e caminhou em direção às árvores.
Voltei para o meu carro, tremendo.
Então eu vi a Polaroid em cima do banco do passageiro.
Um menino de camisa vermelha. Seu cabelo cai sobre os olhos. Um dente da frente torto.
Daniel.
Uma foto que eu nunca tinha visto na minha vida.
Na borda branca havia um endereço e, abaixo dele, com uma caligrafia trêmula, meu nome.
Liguei para o antigo xerife. Aquele que havia cuidado do caso de Daniel. Ele havia se tornado prefeito enquanto eu ainda procurava meu filho.
No momento em que viu a foto Polaroid no meu celular, seu rosto empalideceu completamente.
— Onde você conseguiu isso? — perguntou ele.
Você conhece este endereço?
Margaret, escute com atenção. Não vá por esse caminho.
“Por que?”