Minhas mãos tremiam enquanto eu colocava a porção no prato. Pensei: cinco minutos. Só cinco.
Evelyn sentou-se à mesa como uma rainha recebendo homenagens. Cole encostou-se ao balcão, com os braços cruzados, e apreciou o espetáculo.
Ela deu uma mordida.
Seu rosto se contorceu em uma careta teatral. Ela cuspiu de volta no prato. “Você chama *isso* de comida?”
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela empurrou a prancha para a frente com tanta força que ela chacoalhou. Então, sua mão disparou e me atingiu com força no ombro.
Eu tropecei para trás. Meu quadril bateu no balcão.
E então uma dor intensa, repentina e aterradora surgiu na parte inferior do meu abdômen.
Olhei para baixo e vi manchas vermelhas através da minha calça legging.
Minha respiração ficou mais fraca. “Não… não, não—”
Os olhos de Evelyn se estreitaram, não por preocupação, mas por irritação. “Não comece a fingir.”
Estendi a mão para pegar meu celular. Meu polegar mal tocou a tela quando Cole o arrancou das minhas mãos e o arremessou contra o chão de azulejos. Ele deslizou para debaixo da mesa e desapareceu.
Meus joelhos ameaçaram ceder. O quarto pareceu inclinar. O pânico subiu como bile.
— Por favor — sussurrei, olhando para ele e depois para ela. — Ligue para o 112.
O sorriso de Cole era pequeno e cruel. “Você não vai estragar minha noite com drama.”
Algo dentro de mim se acalmou – algo limpo, frio, surpreendente.
‘Ligue para o meu pai’, eu disse.
Cole deu uma risada. Evelyn fez uma careta.
Eles não faziam ideia de quem ele realmente era.
Parte 2 — A voz que não precisou gritar.
O telefone de Cole tocou.
O toque do celular ecoou pela cozinha como uma sirene. Ele olhou para a tela, revirou os olhos e sorriu como se o universo existisse apenas para entretê-lo.
— Ótimo — murmurou ele. — Seu pai.
Ele respondeu pelo alto-falante sem se mexer. “Sim?”