Uma voz masculina surgiu na linha – calma, baixa, precisa. Não era alta. Não era emotiva. O tipo de voz que fazia as pessoas ouvirem.
“Aqui é Grant Mercer”, disse a voz. “Quem é?”
Cole bufou. “Cole. Marido da Hannah. Já passa da meia-noite… ela está…”
“Coloca a Hannah no ar”, disse Grant Mercer, interrompendo Cole como se ele estivesse falando à toa.
Cole olhou para mim com divertimento. “Você ouviu isso, Han? Papai quer—”
“Eu disse: ligue-a”, repetiu Grant. “Agora.”
O sorriso de Cole mostrou uma ligeira mudança. Ainda não havia medo. Apenas irritação por não ter o ritmo sob controle.
Ele enfiou o telefone nas minhas mãos. Meus dedos estavam frios e escorregadios.
‘Papai’, sussurrei, e a palavra saiu entrecortada.
Do outro lado da linha, ouviu-se um tom agudo. “Hannah. Onde você está?”
— Lar — eu disse, fazendo o possível para manter a respiração calma. Meu estômago se contraiu novamente. — Estou sangrando. Acho que… acho que estou perdendo o bebê.
Uma pausa curta e controlada, como uma porta que se fecha suavemente.
— Escute com atenção — disse Grant. — Permaneça na linha. Não desligue. Diga-me em qual sala você está.
A cozinha.
Ótimo. Coloque o telefone em um lugar onde eu ainda possa te ouvir.
Cole soltou um grito de desaprovação. “Meu Deus, você pode parar, por favor—”
A voz de Grant se voltou para ele sem se elevar. “Cole, fique quieto enquanto eu dou as instruções.”
Cole piscou. “Com licença?”
Grant não deu importância. “Hannah, sente-se. Se possível, com as costas encostadas nos armários. Continue pressionando o local onde está sangrando.”
Eu caí no chão. O impacto das telhas percorreu minhas coxas. Apertei as mãos contra o estômago e tentei não me curvar.
Evelyn permaneceu de pé ao lado da mesa, com os braços cruzados, observando como se fosse um incômodo que tivesse se instalado em sua cozinha.
Cole caminhou de um lado para o outro uma vez; a raiva reacendeu. “Você não pode me dizer o que fazer na minha própria casa.”
Grant respondeu: “Sua casa está atualmente registrada como um local.”
Cole ficou completamente imóvel. “O quê?”
“Esta chamada foi gravada”, disse Grant calmamente. “Seu número. Sua voz. Sua proximidade com uma emergência médica. Escolha suas próximas palavras com cuidado.”
Pela primeira vez, a expressão facial de Evelyn mudou – uma expressão de reconhecimento, não de remorso. Como se ela conhecesse aquele nome e desejasse não conhecê-lo.
Cole tentou recuperar sua autoconfiança. “Você está me ameaçando? Quem exatamente é você?”
Grant não deu a resposta que Cole queria. Em vez disso, perguntou a mim.
Hannah, o Cole está entre você e a porta da frente?
— Sim — sussurrei.